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O nome dessa coluna e a inspiração de colocá-la
em prática, surgiu da percepção geral de que a
reflexão no meio do surf anda meio devagar. "
O Surfe na terceira idade
Por
questões pessoais me deparei com alguns textos
que falam sobre a exclusão social que sofre a
terceira idade. Surfando com a mente encontrei
um elo entre o assunto 'velhice' e o surfe. Parece
falta de criatividade, mas vocês, jovens surfistas
ou 'envelhescentes', que juram amor eterno ao
esporte, já se imaginaram aos 65 anos de idade?!

Dizem
(eu AINDA não fui lá para ver) que no Havaí e
na Austrália vovôs e vovós surfam e confraternizam
dentro d'água. Sempre achei isso o máximo e fico
imaginando como e quando tal fato irá acontecer
no Brasil, mais precisamente aqui em Niterói.
O respeito ao idoso de maneira geral não anda
lá muito bem das pernas, tanto que se faz necessário
a edição de leis protetoras que visam a garantia
da cidadania para as pessoas que chegam aos 65
anos de idade (vide o Estatuto do Idoso, lei n°
10.741/2003). Considerando que a conduta dos surfistas
entre si também não é lá essas coisas, principalmente
quando o mar está apinhado de gente em busca de
uma merreca abrindo, pode ser que a situação fique
crítica para os surfistas que pretendem atingir
a velhice mantendo o surfe no pé.
Percebo
que no Rio (berço do surfe brasileiro) a faixa
etária dos surfistas é maior. Vejo uns coroas
arrepiando ('quebrando', na gíria atual) e penso
se ainda estarei nesse ritmo daqui uns 10, 20,
30 anos... Aqui em Niterói ainda é um pouco diferente,
os números são muito menores e muitos dos surfistas
mais antigos da cidade se mudaram ou pararam de
pegar onda (sem ofensa aos mais velhos no pico,
que cumprem bem o seu papel!). Pelo que vejo,
posso estar errado, a primeira geração de surfistas
de Niterói não está mais pegando onda, não por
aqui. Por que?

Além
do grande número de surfistas de hoje ser desanimador
para quem começou quando não tinha ninguém na
água, as duas melhores ondas da cidade, leiam-se,
Itacoatiara e Itapuca, são peculiares. A primeira,
ainda que menos rara que a segunda, é inconstante
e quebra com tamanha força que espanta alguns
simpatizantes. Já a segunda, direita de fundo
de pedra, é perfeita e só peca pela inconstância
e também pelo descaso histórico do Poder Público
em relação aos seus bens naturais. Ou seja, a
Itapuca, onda cultuada na cidade, ainda é um pico
impregnado de sujeira, com um 'crowd' ferrenho,
que afasta um praticante menos secura, o que dirá
um hipocondríaco (jovem ou velho).
Na realidade existem muitos motivos para não se
praticar o surfe neste ou naquele pico, mas é
sempre saudável achar uma razão para 'dar uma
caída', que seja pela simples remada ou o gratificante
contato com a Natureza. O surfe é um esporte relativamente
novo aqui no Brasil. Seus precursores já devem
ter descoberto outro barato para curtir e a sua
primeira geração de velhinhos está no forno, muitos
mantendo o preparo físico pegando onda, o que
desconfio ser uma das poucas formas de rejuvenescimento
existentes.

Tenho
certeza que os filhos dos nossos filhos terão
avôs ou avós surfistas. Não só surfistas, mas
pessoas que escolheram o mar e a praia como um
meio de relaxamento e curtição. Do mesmo modo
que hoje o Brasil é um país com mais idosos do
que há 30 ou 40 anos atrás, num futuro próximo
o surfe será um esporte praticado por pessoas
com uma média de idade mais elevada. Tenham certeza
que surfe não é coisa de moleque. Chegue em qualquer
praia com ondas, por volta das seis da manhã,
em qualquer dia da semana, que você vai perceber
isso.
Clicando
aqui você pode conferir partes das
manifestações que a coluna Surfe Pensado
recebeu nas últimas três semanas. Vamos manter
contato. Até!
Claudio
da Matta
surfpensado@itacoatiara.com
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