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Por Claudio da Matta
 
 

" O nome dessa coluna e a inspiração de colocá-la em prática, surgiu da percepção geral de que a reflexão no meio do surf anda meio devagar. "

O Surfe na terceira idade

Por questões pessoais me deparei com alguns textos que falam sobre a exclusão social que sofre a terceira idade. Surfando com a mente encontrei um elo entre o assunto 'velhice' e o surfe. Parece falta de criatividade, mas vocês, jovens surfistas ou 'envelhescentes', que juram amor eterno ao esporte, já se imaginaram aos 65 anos de idade?!

Dizem (eu AINDA não fui lá para ver) que no Havaí e na Austrália vovôs e vovós surfam e confraternizam dentro d'água. Sempre achei isso o máximo e fico imaginando como e quando tal fato irá acontecer no Brasil, mais precisamente aqui em Niterói. O respeito ao idoso de maneira geral não anda lá muito bem das pernas, tanto que se faz necessário a edição de leis protetoras que visam a garantia da cidadania para as pessoas que chegam aos 65 anos de idade (vide o Estatuto do Idoso, lei n° 10.741/2003). Considerando que a conduta dos surfistas entre si também não é lá essas coisas, principalmente quando o mar está apinhado de gente em busca de uma merreca abrindo, pode ser que a situação fique crítica para os surfistas que pretendem atingir a velhice mantendo o surfe no pé.

Percebo que no Rio (berço do surfe brasileiro) a faixa etária dos surfistas é maior. Vejo uns coroas arrepiando ('quebrando', na gíria atual) e penso se ainda estarei nesse ritmo daqui uns 10, 20, 30 anos... Aqui em Niterói ainda é um pouco diferente, os números são muito menores e muitos dos surfistas mais antigos da cidade se mudaram ou pararam de pegar onda (sem ofensa aos mais velhos no pico, que cumprem bem o seu papel!). Pelo que vejo, posso estar errado, a primeira geração de surfistas de Niterói não está mais pegando onda, não por aqui. Por que?

Além do grande número de surfistas de hoje ser desanimador para quem começou quando não tinha ninguém na água, as duas melhores ondas da cidade, leiam-se, Itacoatiara e Itapuca, são peculiares. A primeira, ainda que menos rara que a segunda, é inconstante e quebra com tamanha força que espanta alguns simpatizantes. Já a segunda, direita de fundo de pedra, é perfeita e só peca pela inconstância e também pelo descaso histórico do Poder Público em relação aos seus bens naturais. Ou seja, a Itapuca, onda cultuada na cidade, ainda é um pico impregnado de sujeira, com um 'crowd' ferrenho, que afasta um praticante menos secura, o que dirá um hipocondríaco (jovem ou velho).

Na realidade existem muitos motivos para não se praticar o surfe neste ou naquele pico, mas é sempre saudável achar uma razão para 'dar uma caída', que seja pela simples remada ou o gratificante contato com a Natureza. O surfe é um esporte relativamente novo aqui no Brasil. Seus precursores já devem ter descoberto outro barato para curtir e a sua primeira geração de velhinhos está no forno, muitos mantendo o preparo físico pegando onda, o que desconfio ser uma das poucas formas de rejuvenescimento existentes.

Tenho certeza que os filhos dos nossos filhos terão avôs ou avós surfistas. Não só surfistas, mas pessoas que escolheram o mar e a praia como um meio de relaxamento e curtição. Do mesmo modo que hoje o Brasil é um país com mais idosos do que há 30 ou 40 anos atrás, num futuro próximo o surfe será um esporte praticado por pessoas com uma média de idade mais elevada. Tenham certeza que surfe não é coisa de moleque. Chegue em qualquer praia com ondas, por volta das seis da manhã, em qualquer dia da semana, que você vai perceber isso.

Clicando aqui você pode conferir partes das manifestações que a coluna Surfe Pensado recebeu nas últimas três semanas. Vamos manter contato. Até!

Claudio da Matta

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