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Galera
do Surf
"
O nome dessa coluna e a inspiração de colocá-la
em prática, surgiu da percepção geral de que a
reflexão no meio do surf anda meio devagar. "
Surf
ou Surfe?
O
número três, pessoalmente, é especial. Talvez
por isso eu ache que a terceira edição da coluna
Surfe Pensado também seja. Aproveito a oportunidade
triangular para falar sobre um assunto ortográfico,
questão de tradução português X inglês, tema aparentemente
insignificante, mas que reflete a intenção de
trazer para nossa língua a prática inventada pelos
peruanos/taitianos/havaianos (depende do ponto
de vista) e popularizada principalmente pelos
californianos, o SURFE.
Quando eu estagiei na revista InsideNow, nas funções
de repórter, redator e assistente de redação,
a gente escrevia surfe sem o ‘e’
no final da palavra. Além disso, Havaí era
‘Hawaii’, loja de surfe, ‘surf shop’,
Taiti, ‘Tahiti’ (leia-se /tarríri/), entre
outras. Nessa época, entre 1998 e 2000, eu vivia,
pessoalmente, o final do sentimento de exaltação
por tudo o que era estrangeiro, ‘lá de fora’,
‘gringo’. Apesar de estar intensificando o meu
relacionamento profissional no meio do surfe,
no sentido contrário, eu estava ‘descobrindo’
o Brasil, a MPB, o forró,
Gilberto Gil, Chico Buarque, Pernambuco,
Alagoas... Era uma contradição. Minhas
fitas do Concrete Blonde, Spy X Spy,
Australian Crown, para ficar restrito apenas
à chamada surf music, começaram a ficar
empoeiradas. Não que eu não gostasse mais daquela
sonoridade, que ainda hoje me traz lembranças
inestimáveis de inúmeras viagens (surf trips!
e curtições com meus amigos). Mas é que eu estava
mais empolgado em receber a mensagem que o meu
país e sua cultura ofereciam. Pois mesmo para
quem sabe bem a língua inglesa não é fácil entender
a mensagem das suas músicas. E quem entende acaba
percebendo que os caras lá são super patrióticos
(cantam a cultura deles!), coisa que brasileiro
não costuma ser (apesar desse quadro estar melhorando,
na minha opinião otimista).
O surfe foi popularizado nos EUA. De lá se espalhou
para o mundo, obtendo um desenvolvimento marcante
também na Austrália, ou seja, países de língua
inglesa. É natural que tudo o que envolve o esporte,
suas roupas, gírias, manobras e etc. esteja intimamente
ligado a esse idioma. Acontece que a arte de pegar
ondas sobre uma prancha teve início no Brasil
nos anos 30, isoladamente, em Santos, tendo começado
a se desenvolver nos anos 50, no Rio. Já é hora
da língua portuguesa incorporar, adaptar (‘abrasileirar’)
e transformar seus termos. Escrever surfe,
com ‘e’ no final, faz parte disso.
Quando
estagiei na Unigraf, ajudando Pedro Falcão (Entrevista
Pedro Falcão) a escrever e produzir os programas
dirigidos pelos pioneiros Ricardo Bocão e Antonio
Ricardo (lembram do Realce e das bandas que eles
‘aplicaram’ na década de 80?!), foi que incorporei
o termo ‘surfe’ ao meu vocabulário. Mais por iniciativa
do Pedro, já que o próprio Bocão escreve uma coluna
na Fluir, mas se mantém fiel ao tradicional ‘surf’.
Não está errado, eu sei, ainda mais considerando
que RB foi um dos brasileiros que buscou o surfe
lá fora e o trouxe para cá na marra, no melhor
estilo havaiano de pegar javali pelos chifres.
‘Surf’ é universal, apesar de ser em inglês; e,
mesmo no Brasil, o termo é muito mais usado. Falo
sobre o assunto apenas por me sentir incomodado
em ter que usar uma palavra em outra língua para
me referir a algo que incorporei aqui e que já
é tão familiar para nós brasileiros que vivemos
perto do mar (não é pouca gente, somos muitos).
Agora mesmo fiquei sabendo que o Pedro começou
a escrever ‘surfe’ influenciado pelo Julio Adler.
Esses caras exemplarmente exaltam o Brasil, suas
ondas e seus surfistas, mas também são forte e
inevitavelmente influenciados pela cultura ‘gringa’,
origem de muitas das raízes de sua geração.
Esse
tema surgiu aqui no itacoápontocom porque o saite
adota como padrão o ‘surf’ e o colunista que vos
fala chegou escrevendo ‘surfe’ e causou estranhamento,
inclusive tendo que mudar temporariamente o nome
da coluna de Surfe para ‘Surf Pensado’. Chegamos
a conclusão que não existe problema, a coluna
e o sítio eletrônico são independentes e ‘surfe’
e ‘surf’ podem conviver juntos, sendo no íntimo
a mesma coisa. Aparentemente está tudo esclarecido
e a coluna pretende estar totalmente abrasileirada
num futuro próximo. Mas a questão é polêmica e
a gente gostaria de saber a sua opinião, que chegou
até aqui comigo (valeu!), independente do seu
envolvimento com o esporte. Clique
aqui e mande o seu recado, dê a sua
opinião lingüística: Surf ou Surfe?
É
extremamente gratificante o retorno que o Surfe
Pensado tem recebido de algumas pessoas. São
na maioria amigos que usaram uma parte do seu
precioso tempo para ler e mandar uma mensagem
de força, sugestões, um alô, e também pessoas
que não conheço, mas que o assunto lhes diz respeito.
Um abraço especial para Glick, Goiaba, Paulo André,
Huguinho, Alex (lá de San Diego!), Cyriaco/ASN,
Rodrigo Jardim, Marcelo SMF e outros.
A troca é fundamental. Estamos iniciando um trabalho
de publicidade que também é peça chave nesse processo
(marketing e publicidade são pura troca). O objetivo
é oferecer um serviço de informação, organizando
promoções e incentivando a interatividade que
é o fundamento principal da internet como meio
de comunicação. Quem sabe a gente consegue transformar
o mundo a nossa volta a partir das idéias, tomando
como ponto de partida nossas opções pessoais,
as coisas que gostamos, que precisamos?!
Você
é parte principal desse processo. Participe!
Mande opiniões, sugestões, um texto, uma foto,
anuncie no Surfe Pensado e apóie o nosso projeto,
faça parte dele, entre em contato.
Até!
Claudio
da Matta
surfpensado@itacoatiara.com
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