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Por Claudio da Matta
 
 


Surfe Competição também é coisa nossa
Comentários, críticas e interatividade no Surfe Pensado

Na minha curta história como colunista já causei duas polêmicas. A primeira quando assumi que apedrejava calangos durante parte da minha adolescência e a segunda quando fiz o mesmo em relação aos campeonatos de surfe, ou seja: joguei pedra. Quem quiser, dê um clique aqui para ler o meu último texto.

Aproveitando a interatividade que a rede nos permite, disponibilizo AQUI a carta que a derradeira coluna originou, por parte do amigo André Cyriaco, Presidente da Associação de Surf de Niterói (ASN).

A interatividade sempre foi objetivo quando do lançamento do Surfe Pensado, que segue em seus primeiros passos exclusivamente no meio digital. Apesar do caráter pessoal de algumas das partes do texto do Cyriaco é fácil compreender o por que da sua mágoa, já que 'atirei umas pedras' nas filosofia e costume do seu atual ofício que é justamente a realização de campeonatos.

Que fique claro, inclusive às pessoas que tenham recebido o meu texto com o mesmo sentimento incorporado pelo nosso ilustre presidente, que minhas críticas e reflexões não se dirigiram para nenhuma pessoa (s) ou instituição (ões). O foco do 'movimento' Surfe Pensado é o surfe e todas as suas manifestações, vistas através de olhos críticos e reflexivos, sem nunca se apoderar da verdade. O Surfe Pensado não tem patrão e nem rabo preso. Junto a isso também é importante que a gente não perca de vista toda a graça e a positividade que a prática do surfe proporciona, pois sem elas não haveria prazer algum em estar tentando levar para frente essa idéia.

Agora, abandonando um pouco esse papo de princípios e esclarecimentos, algumas questões surgiram depois da análise dos dois textos acima citados (e publicados).

Se, pegando como parâmetro, a etapa brasileira do WCT 2003 foi um sucesso total de público e de ação dentro d'água; e a ASN vem batendo recorde de inscritos em suas etapas, como podemos falar sobre uma atual falta de glamour e êxito dos campeonatos de surfe no Brasil? Qual é a sua opinião sobre isso?

Mesmo falando mal do formato e monotonia dos campeonatos, até parece que eu (e qualquer outro que concorde comigo) não gostaria de assistir aos melhores do mundo surfando em Teahupoo, no Taiti, ou em Pipeline, no Havaí. Ainda mais considerando a acirrada disputa pelo título mundial de 2003, que levou o circuito ao clímax justamente em sua última etapa, na panela de pressão havaiana.

Essa questão é complicada. A própria Association of Surfers Professionals (ASP) teve que reestruturar os locais escolhidos para a realização de suas etapas em função da qualidade das ondas (e volta e meia os surfistas do circuito mundial são 'cantados' a experimentar outras formas de competição... - vide X-Games Califórnia 2003 - outra polêmica).

O surfe não é mais um gueto. Todo tipo de gente gosta e pratica o 'esporte dos reis', por vários motivos. Não mais é preciso entender e gostar das competições para ser um surfista, nem tão pouco usar as bermudas abaixo do joelho que alguns pensam identificar surfistas ao longo de uma praia, calçadão ou ruas de uma cidade, seja no interior ou no litoral. Existe gosto e público pra tudo!

Essa coluna não é uma resposta à carta do Cyriaco e sim mais uma reflexão acerca do nosso esporte predileto.

Não aceitamos (eu e eu, do Surfe Pensado!) que o nosso texto sirva de desculpa para que um patrocinador não apóie uma competição. O resultado de um campeonato (seja ele qual for) está na praia, no público espectador, na boca dos surfistas competidores, dos seus pais e amigos.

Quem se apodera da 'imagem' do surfe e toma a iniciativa de servir e abastecer os surfistas e amantes dessa filosofia de vida com equipamentos, 'moda' e artigos industrializados em geral tem o compromisso de apoiar, patrocinar e zelar pela existência de suas várias facetas. Entre elas, os campeonatos são uma das expressões mais genuínas, o ritual de formação de ídolos, a escada para o profissionalismo.

Não garanto dedicar toda uma coluna a outro assunto polêmico que possa surgir no futuro. Apesar disso, acho que ainda temos espaço para falar sobre surfe e campeonatos na próxima edição (depende de vocês).

O surfe perdeu o glamour? Será que existe um formato de disputa mais adequado para ser realizado no âmbito municipal, paralelamente às categorias de base do surfe-competição? Será que formato e integração com surfistas amadores ("free-surfers" incluídos) tem alguma relação relevante em campeonatos de porte municipal?

Apesar de ter escrito muito mais sobre o assunto, em vários rascunhos, acho melhor terminar por aqui. O resto é conversa de botequim. O mar subiu.

Um grande abraço! Muito obrigado pela leitura, críticas, elogios e sugestões.

O Surfe Pensado é nosso. Participem! Inclusive apoiando essa idéia, associando a sua imagem a essa proposta.

Valhiêu!!!

Claudio da Matta

surfepensado@itacoatiara.com

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