Surfe Competição
também é coisa nossa
Comentários, críticas e interatividade
no Surfe Pensado
Na
minha curta história como colunista já
causei duas polêmicas. A primeira quando
assumi que apedrejava calangos durante parte da
minha adolescência e a segunda quando fiz
o mesmo em relação aos campeonatos
de surfe, ou seja: joguei pedra. Quem quiser,
dê um clique
aqui para ler o meu último
texto.
Aproveitando
a interatividade que a rede nos permite, disponibilizo
AQUI a carta
que a derradeira coluna originou, por parte do
amigo André Cyriaco, Presidente
da Associação de Surf de Niterói
(ASN).
A
interatividade sempre foi objetivo quando do lançamento
do Surfe Pensado, que segue em
seus primeiros passos exclusivamente no meio digital.
Apesar do caráter pessoal de algumas das
partes do texto do Cyriaco é fácil
compreender o por que da sua mágoa, já
que 'atirei umas pedras' nas filosofia e costume
do seu atual ofício que é justamente
a realização de campeonatos.
Que
fique claro, inclusive às pessoas que tenham
recebido o meu texto com o mesmo sentimento incorporado
pelo nosso ilustre presidente, que minhas críticas
e reflexões não se dirigiram para
nenhuma pessoa (s) ou instituição
(ões). O foco do 'movimento' Surfe
Pensado é o surfe e todas as suas
manifestações, vistas através
de olhos críticos e reflexivos, sem nunca
se apoderar da verdade. O Surfe Pensado
não tem patrão e nem rabo preso.
Junto a isso também é importante
que a gente não perca de vista toda a graça
e a positividade que a prática do surfe
proporciona, pois sem elas não haveria
prazer algum em estar tentando levar para frente
essa idéia.
Agora,
abandonando um pouco esse papo de princípios
e esclarecimentos, algumas questões surgiram
depois da análise dos dois textos acima
citados (e publicados).
Se,
pegando como parâmetro, a etapa
brasileira do WCT 2003 foi um sucesso
total de público e de ação
dentro d'água; e a ASN
vem batendo recorde de inscritos em suas etapas,
como podemos falar sobre uma atual falta de glamour
e êxito dos campeonatos de surfe no Brasil?
Qual é a sua opinião sobre
isso?
Mesmo
falando mal do formato e monotonia dos campeonatos,
até parece que eu (e qualquer outro que
concorde comigo) não gostaria de assistir
aos melhores do mundo surfando em Teahupoo, no
Taiti, ou em Pipeline, no Havaí. Ainda
mais considerando a acirrada disputa pelo título
mundial de 2003, que levou o circuito ao clímax
justamente em sua última etapa, na panela
de pressão havaiana.
Essa
questão é complicada. A própria
Association of Surfers Professionals (ASP)
teve que reestruturar os locais escolhidos
para a realização de suas etapas
em função da qualidade das ondas
(e volta e meia os surfistas do circuito mundial
são 'cantados' a experimentar outras formas
de competição... - vide X-Games
Califórnia 2003 - outra polêmica).
O
surfe não é mais um gueto. Todo
tipo de gente gosta e pratica o 'esporte dos reis',
por vários motivos. Não mais é
preciso entender e gostar das competições
para ser um surfista, nem tão pouco usar
as bermudas abaixo do joelho que alguns pensam
identificar surfistas ao longo de uma praia, calçadão
ou ruas de uma cidade, seja no interior ou no
litoral. Existe gosto e público pra tudo!
Essa
coluna não é uma resposta à
carta do Cyriaco e sim mais uma reflexão
acerca do nosso esporte predileto.
Não
aceitamos (eu e eu, do Surfe Pensado!) que o nosso
texto sirva de desculpa para que um patrocinador
não apóie uma competição.
O resultado de um campeonato (seja ele qual for)
está na praia, no público espectador,
na boca dos surfistas competidores, dos seus pais
e amigos.
Quem
se apodera da 'imagem' do surfe e toma a iniciativa
de servir e abastecer os surfistas e amantes dessa
filosofia de vida com equipamentos, 'moda' e artigos
industrializados em geral tem o compromisso de
apoiar, patrocinar e zelar pela existência
de suas várias facetas. Entre elas, os
campeonatos são uma das expressões
mais genuínas, o ritual de formação
de ídolos, a escada para o profissionalismo.
Não
garanto dedicar toda uma coluna a outro assunto
polêmico que possa surgir no futuro. Apesar
disso, acho que ainda temos espaço para
falar sobre surfe e campeonatos na próxima
edição (depende de vocês).
O
surfe perdeu o glamour? Será que
existe um formato de disputa mais adequado para
ser realizado no âmbito municipal, paralelamente
às categorias de base do surfe-competição?
Será que formato e integração
com surfistas amadores ("free-surfers"
incluídos) tem alguma relação
relevante em campeonatos de porte municipal?
Apesar
de ter escrito muito mais sobre o assunto, em
vários rascunhos, acho melhor terminar
por aqui. O resto é conversa de botequim.
O mar subiu.
Um
grande abraço! Muito obrigado
pela leitura, críticas, elogios e sugestões.
O
Surfe Pensado é nosso. Participem! Inclusive
apoiando essa idéia, associando a sua imagem
a essa proposta.
Valhiêu!!!
Claudio
da Matta
surfepensado@itacoatiara.com
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