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Surfe
- uma instituição formadora de pessoas?
Inspirado
pela formidável mensagem do Alexandre Buriti
(leia!) e por um
artigo escrito pelo Tito Rosemberg (www.titorosemberg.com),
na edição 126, da revista InsideNow,
a gente dá início a mais uma montagem
do projeto Surfe Pensado. O assunto? Chuta!
Por
que o surfe não decola? Ou, por que o surfe
não decola como nós, amantes do
esporte, gostaríamos? Outra. Será
a bitolação dos surfistas um fator
que ajuda na construção de uma imagem
distorcida do esporte?
| Joca
Jr. (ex-WCT), Raoni Monteiro (WCT 2004!),
Marcondes Rocha (WQS?), Marco Polo (WQS,
free surfer?) e Teco Padaratz (WCT 2004?).
Onde chega um surfista profissional? Onde
ele pode chegar? Fotos de arquivo:
Claudio da Matta. |
Não
é de hoje que eu acho que o bom surfista
não deveria passar o dia inteiro pensando
em surfe e malhação. Incluo aí,
principalmente, o aspirante a surfista profissional,
aquele que invariavelmente sonha com uma carreira
internacional. Pode parecer besteira, mas já
vimos grandes atletas sucumbirem à pressão
de estarem em terras distantes, ouvindo línguas
desconhecidas, carecendo de estrutura e não
de surfe no pé para serem bem sucedidos.
Surfista
precisa de educação, de escola,
de curso de inglês, francês ou espanhol...
Precisa se relacionar com o mundo que existe do
lado de fora do ambiente da praia. É difícil
para um moleque perceber isso, mas é fácil
(deveria ser) para uma marca patrocinadora ter
a visão de que a imagem do surfe ficará
mais nítida (lucrativa na língua
empresarial) quando nos campeonatos (e no dia-a-dia)
seus atletas se expressarem melhor para o resto
do mundo. Toda empresa patrocinadora de atletas
amadores deveria ser responsável pelo custeio
de uma parcela da educação dos mesmos.
Isso deveria estar escrito em lei, deveria ser
uma ideologia.
É
aí que coloco as palavras do Tito Rosemberg:
“Não há nada mais importante
na vida de uma pessoa do que diversificar seus
interesses. E não há nada mais triste
do que um surfista brocha porque as ondas não
estão acontecendo”. O artigo citado
teria mais a ver com o assunto ‘surfe X
terceira idade’, mas não consigo
deixar de associar suas palavras à necessidade
que os surfistas devem ter pela eterna busca não
só por ondas, mas por outros assuntos,
outras disciplinas. Afinal, agora o surfista deixou
de ser o hippie, que constantemente colocava o
pé na estrada, para ser o esportista, que
continua viajando para outros oceanos, só
que na cobiça por pontos no ranking e dinheiro
no bolso.
Olha
eu aqui dando dica pra capitalista: o cara ‘acha’
um atleta promissor, banca ele no surfe, tira
ele um pouco da praia, por obrigação,
para que o garoto(a) estude e aprenda uma segunda
língua. Esse atleta será favorecido
para o resto da vida, mesmo no caso (quase certo)
dele não se tornar um dos 45 membros da
elite mundial. Mas qual será então
o retorno? Vem na imagem, em longo prazo, que
será construída, de praticantes/pessoas
mais conscientes, que passarão para a sociedade
uma imagem em transformação (e não
estagnada) do esporte, o que acarretará
em mais apoio para projetos e eventos, em mais
consumo e até, entre outras inúmeras
vantagens, numa melhor cobertura do esporte por
parte da mídia, não só a
especializada. Sem falar que esse então
adolescente, depois da carreira como surfista
profissional, poderá ser mão de
obra mais que especializada para a própria
empresa e o mercado do surfe em geral.
É
como se fosse a mão invisível reguladora
dos mercados. Essa conscientização
tem que partir da praia e seguir para o mundo
das competições. Nesse caso não
adianta ter médico, dentista, promotor
de justiça, engenheiro ou juiz praticando
o surfe. A imagem que a sociedade tem do esporte
é formada pelos seres que movem o surfe
como instituição (surfistas amadores
e profissionais, patrocinadores e organizadores
de competições e etc.) e não
pelos que praticam o surfe como um estilo de vida,
como uma válvula de escape ou coisa parecida.
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A
coluna Surfe na Terceira
Idade repercutiu algumas mensagens.
Clique
aqui para conferir alguns trechos das manifestações
e não hesite em mandar a sua opinião,
crítica ou sugestão.
Claudio
da Matta
surfpensado@itacoatiara.com
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