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Entrevista
Pedro Falcão
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Pedro
Falcão. Foto: Claudio da Matta
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Claudio
da Matta: Como está o surf no Estado do Rio?
Pedro
Falcão: O surf, como esporte, ainda tem muito
o que agregar de valor e crescer. Não é uma coisa
única, vai se profissionalizando em diversos setores.
O surf já é um esporte institucionalizado na cidade
do Rio, mas ainda não tem o devido apoio do poder
público. O surf faz parte do Rio de Janeiro, em
nenhum lugar do Brasil, do mundo, existe uma cidade
do tamanho dessa aqui, com o mesmo potencial.
As pessoas não tem essa noção tão clara. O próprio
Estado do Rio, se você for percorrendo o litoral,
vai até Campos, São João da Barra, tem onda em
todas as cidades. Em todo lugar que você para,
tem alguém que pega onda e em todos esses lugares
o surf pode ser incentivado. Os royalties do petróleo,
no litoral norte do rio, são uma riqueza que também
têm que semear o surf. Se o poder público, as
empresas que se formaram e cresceram com o surf
e as lojas multi marcas consolidadas olharem mais
para o esporte, aí sim o Estado do Rio pode dar
uma guinada. Não que o Estado não seja forte,
somos o atual campeão brasileiro, temos vários
dos melhores surfistas do país e algumas das melhores
ondas para treino. Mas existe o sonho de ter aquilo
que a gente acredita, que é ter um calendário
forte, um esporte solidificado, com as pessoas
vivendo dele e o surf tendo o espaço que merece
na mídia. Quando a Fluir (revista especializada
em surfe) foi vendida para uma grande editora,
o surf teve que crescer nesse setor, teve que
acompanhar esse crescimento. As marcas de 'surfwear'
(roupas de surf) tiveram que crescer para poderem
se incorporar ao mercado, o próprio Xande (N.E.:
vereador intimamente ligado ao surf em Florianópolis,
Santa Catarina), no sul, a força das marcas de
São Paulo. O surf no Rio é forte, mas ainda falta
para a gente poder sentar e dizer que o trabalho
está feito. Estamos tentando formar uma base,
recuperando a auto estima do surf no Estado. Temos
muitos planos, as coisas são todas justas, mas
na hora que você põe no papel e vai pra rua vender,
percebe que nem sempre o que é justo acontece.
A vida é muito difícil.
Claudio
da Matta: Quais são os principais objetivos
da Federação?
Pedro Falcão: O circuito Junior, que engloba
da categoria Pré-Petit a Junior, indo dos oito
aos 18 anos, está mais solidificado, contando
com cinco etapas, fora as competições locais.
É um bom número, já que não adianta querer que
esses garotos tenham dinheiro para ficar viajando
o ano inteiro. Falta um circuito amador aberto
para as outras categorias e essa é uma luta nossa.
Tem um projeto diferenciado de fazer um circuito
não individual, mas por equipes. A idéia é que
o Arpoador tenha a sua equipe, o Recreio, a Prainha
..., para criar o espírito de amizade, de disputa
saudável. Na Profissional, temos sobrevivido basicamente
de uma etapa no Rio por ano e o resto no Norte
Fluminense. Essa é a novidade. Quando eu entrei
na Federação, fui até Macaé, até Campos, e consegui
abrir portas. Hoje a gente tem uma etapa em Campos
que vai para o quarto ano. Estamos em Quissamã,
São João da Barra, Macaé. Parece que são cidades
longe, mas não se pode ser preconceituoso. Lá
o surf é um espetáculo. No Rio parece que é uma
coisa natural. Acontecem grandes eventos na cidade,
que passam desapercebidos pela mídia. O surf parece
uma coisa tão normal no dia-a-dia carioca, toda
praia que você passa tem um cara pegando onda.

surfpensado@itacoatiara.com
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