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Por Claudio da Matta
 
 

ALOHA!

Um dos objetivos do projeto Surfe Pensado é o jornalismo e uma das formas de expressão deste é a entrevista. A internet tornou tudo mais fácil, estreitou as distâncias do mundo. Através da rede fiz rapidamente o trajeto Brasil-Havaí e descobri que havia sido lançado um novo sítio eletrônico, com alma brasileira, o Hawaii Surf Pix. Aproveitando a chance percebi o quanto seria proveitoso divulgar o trabalho de um cara batalhador e, de quebra, poder trazer um pouco da maresia havaiana para o Surfe Pensado. Na verdade, não existe veículo surfístico que possa ignorar o que acontece nas ilhas havaianas, principalmente nos dois últimos e dois primeiros meses de cada ano.
Havaí. Leia a entrevista! Foto: Bruno Lemos.

Através de um bate papo com o carioca Bruno Lemos, que foi morar nas ilhas há 13 anos e hoje vive de produzir imagens, a gente apresenta em suma duas coisas. A primeira é uma história de vida, de uma pessoa que investiu sua capacidade de agir num sonho, o de conhecer, estar e viver no Havaí. A segunda, totalmente diferente, porém interligada por ser fruto do trabalho do cara, é um pequeno resumo (um olhar) do que aconteceu nas ilhas havaianas entre 2003 e 2004, entre outras imagens.

Espero que vocês façam uma boa viagem e aproveitem tanto as fotos quanto as histórias.

226 anos depois que o capitão James Cook saiu do Taiti, pegando rumo norte e, no dia 18 de janeiro de 1778, descobriu o Havaí, avistando de primeira a ilha de Oahu, chega a vez do Surfe Pensado ‘descobrir’ um pouco desse arquipélago.

Lemos, obrigado pela entrevista e sucesso para o Hawaii Surf Pix!

Surfe Pensado: Gostaria que você fizesse um pequeno histórico da sua carreira, falando como começou o seu envolvimento com o surfe e com a fotografia.

Bruno Lemos: Comecei a surfar aos 12 anos de idade. Tinha uma prancha monoquilha Claudio Rangel, que herdei do meu tio e padrinho Luiz Antonio, o primeiro surfista da minha família. Na época as biquilhas eram a atração, então meus amigos chamavam minha prancha de "jaca" por ser grande e pesada. Comecei a evoluir no surf e participar de alguns campeonatos locais, no condomínio que morava (Nova Ipanema), no circuito gromets e etapas da ASBT (Associação de Surf da Barra da Tijuca). Cheguei a ter bons resultados e tive relativamente uma boa carreira como amador. Tentei até correr um ano como profissional mas sem muito sucesso. Nessa mesma época, através do Wanderley Carbone, fui apresentado ao fotógrafo e diretor da Surfer Magazine no Brasil, o Carlos Lorch. Ele me convidou para fazer a parte editorial da revista e a partir dai, comecei a ter contato com muitos fotógrafos da época, tipo: Fedoca, Nilton Batista, Dentinho (José Claudio), Nelson Veiga, Wagner Ziguelmeyer, Dick Meseroll, entre outros. Foi uma boa oportunidade pois via todo o material que chegava na revista e também a maneira que se escolhiam as fotos que seriam publicadas. Mas nunca imaginaria que um dia seria fotógrafo. Acho que isso só aconteceu depois que vim morar no Hawaii...

Surfe Pensado: Como você foi parar no Havaí?
Bruno Lemos: Cheguei aqui em 1991. O Carlos resolveu fechar a revista, não sei se por causa da morte do Paulo Tendas que era quase sócio da revista ou se por causa do mercado que na época estava muito ruim, ou os dois... sei que com o fechamento da Surfer ele me deu uma passagem para Honolulu, meio que como um bônus, pois sabia que eu tinha muita vontade de vir para cá. Acho que ele não imaginava que ficaria aqui até hoje. Nessa época ainda corria campeonatos e minha intenção era chegar aqui e tentar continuar a minha carreira como surfista. Só que, como tudo no Hawaii é muito caro, ficou difícil até de comprar as primeiras pranchas, para me sustentar era muito difícil, imagina correr campeonatos? Cada inscrição custa 100 dólares, os caras todos com altas pranchas zeradas, patrocínios milionários... a real é que acabei virando "pião de obra", pois de algum jeito tinha que sobreviver.


Claudio da Matta

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