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A Pedra de Itacoatiara

Ana Angélica Monteiro de Barros
(Bióloga - MSc Geociências - Geoquímica)
Protetores da Floresta
e-mail: protetores@bol.com.br
/ UERJ-FFP-DCIEN

 

Começaremos por entender o que significa seu nome. Ele vem do Tupi-Guarani e quer dizer "Pedra Riscada". Se você olhar a pedra da Praia de Itacoatiara, verá umas linhas esbranquiçadas que resultaram do preenchimento das fissuras da rocha de gnaisse por quartzo.
 
Esta rocha tem uma formação muito antiga, cerca de 600 milhões de anos atrás, e faz parte do complexo da Serra da Tiririca. Por trás dessa pedra, podemos observar outra formação muito interessante que é a Pedra do Elefante. Bem, mas isso é papo para outro passeio.
 
Para subir a Pedra de Itacoatiara, temos que chegar a uma das entradas do Parque Estadual da Serra da Tiririca que fica na rua das Rosas. A trilha pela mata é bem marcada e não tem como se perder.
 
A vegetação do lugar faz parte do domínio da Mata Atlântica, que se encontra muito ameaçada hoje em dia. Aproveite o caminho para ir observando as plantas e os bichos do local. Você pode ter várias surpresas legais, como encontrar um bando de micos-estrela, que fazem uma algazarra danada e são muito curiosos.
 
Uma coisa importante para chamar a atenção é que não devemos alimentar os animais. Eles têm sua própria comida na floresta.
 
Suba a mata em silêncio para poder ouvir o canto dos pássaros e outros ruídos e já ir-se harmonizando com a natureza. Você vai chegar a uma clareira; se continuar o caminho, vai dar na Enseada do Bananal e, se virar à direita, começa a subir a pedra. Dê uma descansadinha rápida e suba logo para poder ver paisagens incríveis.
 
No início, parece que a subida é muito difícil, mas engano seu, é só no início, logo fica mais leve. Cuidado para não segurar em plantas com espinhos para se apoiar. Já pensou?!!
 
Logo, você já começa a observar coisas diferentes quando sai da mata. Lá de cima, dá pra ver as Lagunas de Piratininga e Itaipu, as praias de Itacoatiara, Itaipu, Camboinhas e Itaipuaçu, as Ilhas do Pai, Mãe e Filho, além da Ilhas Maricá, o Morro da Viração, Pedra do Elefante, a Restinga de Maricá e até mesmo o Rio de Janeiro. Não é demais?!!
 
A vegetação muda e forma pequenas ilhas com bromélias, cactos e orquídeas, entre outras plantas. No topo da pedra, existe uma pequena mata com espécies da Mata Atlântica, principalmente palmeiras.
 
Essas plantas cortam um dobrado para sobreviverem nesse lugar, já que não há água disponível (só a da chuva) e o sol não perdoa, esquenta mesmo. A temperatura, na pedra, no verão, pode chegar até 50oC.
 
Por isso, nada de subir descalço ou de sandália de dedo. Cuidado, também, ao sentar...
 
Então, como pode essas plantas sobreviverem ali ? Elas tiveram que se adaptar. Os cactos, por exemplo, acumulam água no seu caule e perderam suas folhas, que se transformaram em espinhos para evitar o excesso de perda d`água por evapotranspiração.
 
As bromélias resolveram seu problema de outra maneira. Algumas formam tanques com suas folhas para acumular água da chuva. Têm espécies que podem guardar até mais de dois litros d'água Imagine!!!
 
A água e os nutrientes que precisam são absorvidos pelas folhas através de pêlos especiais. Outras espécies não formam tanques, mas podem absorver água também pelas folhas. Mas não são as raízes as responsáveis por absorver água no vegetal?
 
Sim, mas no caso das bromélias é diferente, as raízes servem mais para fixação da planta. Uma plantinha muito interessante e que também vive nas pedras é o trilepis, um tipo de "capinzinho". Essa planta é capaz de se fingir de morta para não morrer de verdade pela falta d'água. Como assim ?
 
Ela perde todo pigmento verde das folhas, que é a clorofila, responsável pela fotossíntese. Fica toda amarelinha, quando está seco. Na verdade, é como se a planta adormecesse, não gastando energia.
 
Quando chove, rapidamente ela recupera a clorofila, produz flores e frutos, aproveitando a água até a próxima seca.Nossa quanta adaptação!!!
 
E os bichos ? Você vai poder observar alguns, mas é claro, que para o ambiente que é, não vai encontrar nenhuma onça. Apenas, pequenos lagartos, pássaros, gaviões, aves marinhas, entre outros.
 
Dentro das bromélias é possível descobrir pequenas aranhas, sapos e pererecas. Não se assuste, porque não fazem mal a ninguém.
Mas um lugar tão bonito assim encontra-se ameaçado por aqueles que não respeitam a natureza, que sobem a pedra e deixam seu lixo, arrancam as plantas, picham a pedra e queimam a vegetação.
 
Isso é uma falta de respeito, já que todos deveriam visitar o lugar para encontrar paz e curtir o visual, deixando-o como o encontrou.
 
É isso aí, na próxima edição vamos visitar outro lugar lindo da Região Oceânica. Surpresa!... E até lá!
 
Dica da semana:
Suba a Pedra de Itacoatiara, é claro. Não se esqueça de levar água e um lanchinho, pois dá uma fome danada e não tem nenhuma lanchonete lá em cima. Um chapéu também é aconselhável, além do tênis. No mais, curta o passeio com seus amigos e lembre de não deixar lixo ou levar.
 


 

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